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Baile do Menino Deus em Goiana

  • Foto do escritor: Carlos Filho
    Carlos Filho
  • 24 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Há cidades que não assistem a um espetáculo. Elas recebem!


Equipe do Baile do Menino Deus Goiana  |  Foto: Nina Xará
Equipe do Baile do Menino Deus Goiana | Foto: Nina Xará

Baile do Menino Deus Goiana

Cheguei a Goiana cansado de ensaios, mas inteiro. O corpo trazia o peso de muitos dias de trabalho e, ao mesmo tempo, a leveza de quem sabe que está pronto. No dia anterior, havíamos ido e voltado de Recife num ônibus da produção. Dormi em casa. No dia 6, retornei com a sensação de quem atravessa um portal.

Baile do Menino Deus Goiana

E ele estava lá, literal e simbólico: “Terra dos Caboclinhos.”

Baile do Menino Deus Goiana

Não era um cenário construído. Era uma igreja erguida em 1726, carregando séculos de fé, suor, silêncio e canto. A apreensão veio junto com o respeito. Cantar diante de uma arquitetura assim exige escuta. Não se entra impondo nada. É preciso pedir licença.

Baile do Menino Deus Goiana

O corpo respondeu com pertencimento. Entrega. Êxtase. Silêncio. Paz.


Pedestal do microfone de Carlos Filho  |  Foto: Nina Xará
Pedestal do microfone de Carlos Filho  | Foto: Nina Xará

Quando cantei Caboclinhos, algo me atravessou com força. Não era apenas a música, que já havia passado pela minha voz em outros tempos, mas o chão. A cidade. A cultura viva. Minha recente vivência com a Jurema Sagrada, em Alhandra, abriu em mim um lugar novo de escuta. Goiana completou esse gesto.


Ali, senti que não cantava sozinho.


O público era tudo: crianças, idosos, famílias inteiras, brincantes, gente com seus cachorros no colo. Gente de bairro, de rua, de praça. Vi um senhor, um jovem e uma criança apoiados na grade, olhos fixos, atentos do começo ao fim. Encantamento, espanto e curiosidade dividindo o mesmo rosto.


Público presente na praça  |  Foto: Nina Xará
Público presente na praça  | Foto: Nina Xará

Na cena do anjo, o silêncio caiu. E então o sino tocou, no tempo exato. O mesmo sino que eu ouvia, menino, do alto da cisterna da casa do meu avô Tôin Doutor, em Sertânia. Soube depois: quem puxou a corda foi o próprio Ronaldo Correia de Brito. Ele sabia tocar o sino desde criança, no Cariri cearense. O tempo, ali, fechou um círculo.


Cantei no microfone da frente. Pedi licença. Anunciei os encantados.


Carlos Filho (Diretor Vocal) com Quiércles (Preparador de Elenco), Arilson Lopes (Ator) e equipe de cantores/cantoras durante ensaio  |  Foto: Nina Xará
Carlos Filho (Diretor Vocal) com Quiércles Santana (Preparador de Elenco), Arilson Lopes (Ator) e equipe de cantores/cantoras durante ensaio  | Foto: Nina Xará

Mais tarde, no dia seguinte, tudo ficou decantando em mim. O que mais permaneceu foi a certeza da potência da cultura popular quando encontra território fértil. E a alegria profunda de, pela primeira vez, estar ali também como diretor vocal. Ouvir o coro inteiro afinado, consciente, coletivo, como havíamos sonhado, foi uma realização silenciosa e imensa.


O Baile saiu do Recife. Mas, em Goiana, sentiu-se em casa.


Há cidades que não assistem a um espetáculo. Elas recebem.


Goiana não nos olhou de fora. Abriu o corpo antigo da sua igreja, estendeu a praça, acendeu o silêncio. E deixou que o Baile entrasse como quem volta. Nada ali era cenografia. Tudo era história. O Baile do Menino Deus, ao sair do Recife pela primeira vez, não se deslocou, se reconheceu. Na Terra dos Caboclinhos, a brincadeira de Natal encontrou espelhos: a mata, o canto, o corpo que dança antes de saber o nome do gesto.


Cena dos Caboclinhos   |  Foto: Nina Xará
Cena dos Caboclinhos   | Foto: Nina Xará

Quando os Caboclinhos entraram em cena, o chão respondeu. Não houve explicação. Houve memória.

Um sino tocou. E não era só anúncio: era lembrança. Era infância, sertão, cisterna, avô, praça. O tempo se dobrou em cima da gente.


O povo ficou. Inteiro. Até o fim.


Talvez porque O Baile fale de nascimento. Mas não de um nascimento distante. Fala do que nasce toda vez que a cultura popular encontra quem a escute sem pressa.

Goiana ouviu.


E, naquela noite, o Menino não precisou ser apresentado. Ele já estava em casa.


Carlos Filho na cena do Boi  |  Foto: Nina Xará
Carlos Filho na cena do Boi  | Foto: Nina Xará

Vênia ao público Carlos Filho e Sarah Leandro  |  Foto: Nina Xará
Vênia ao público Carlos Filho e Sarah Leandro  | Foto: Nina Xará


Ficha Técnica e Créditos Oficiais EQUIPE CRIATIVA


Concepção do Espetáculo e Direção Geral

Ronaldo Correia de Brito

Texto Original e Letras

Ronaldo Correia de Brito

Assis Lima


Realização

TBC Produções Artísticas

Tainá Menezes

Tomás Brandão


Música e Arranjos

Rafael Marques

Antônio Madureira


Direção Musical

Rafael Marques


Preparação de Elenco e Assistência de Direção

Quiercles Santana


Direção de Arte

Sephora Silva

Marcondes Lima


Videocenografia

Sephora Silva

Gabriel Furtado


Coreografia

Sandra Rino


Criação de Figurino

Marcondes Lima


Criação de Adereços

Álcio Lins

Marcondes Lima

Wilson Aguiar


Criação de Iluminação

Jathyles Miranda

Direção Técnica

Sávio Uchôa

Criação de Maquiagem

Gera Cyber



ELENCO & MÚSICA

Atores

Mateus 1 – Arilson Lopes

Mateus 2 – Sóstenes Vidal

Maria – Laís Senna

José – Lucas Dan

Mateus 1 Suplente / Rei Branco – Djaelton Quirino

Mateus 2 Suplente / Rei Indígena – Daniel Barros


Coro e Solistas

Carlos Filho

Cláudio Rabeca

Gabi Martinez

Guilherme Jacobsen

Isadora Melo

Ricardo Pessoa

Sarah Leandro

Sue Ramos


Músicos

Bandolim e Cavaco – Rafael Marques

Contrabaixo – João Pimenta

Viola – Raquel Paz

Violão e Viola Nordestina – Aristide Rosa

Percussão – Emerson Coelho, Emerson Rodrigues, Jerimum de Olinda

Sopros – Ângelo Lima, Jonatas Gomes

Sanfona – Felipe Costta


Bailarinos

Fernando Gomes

Gabi Carvalho

Isabela Loepert

Jonas Alves

José Valdomiro

Marcela Aragão

Maycon Douglas

Pinho Fidelis

Tiago Vieira


Participação Especial

Eliel Fernando - Caboclinho Cahetés


EQUIPE TÉCNICA


Iluminação

Iluminação Cênica – Jathyles Miranda

Equipe de Iluminação – André Xavier, Cleones José e Amanda Barbosa

Som

Estúdio Carranca

Monitor – Carlinhos Borges

Desenho de Som e Alinhamento de Sistema – Gera Vieira

PA – Titio

RF e Microfones – Marcio Torres

Assistentes de Som – Miguel Santana e Neto Alves

Projeções

VJ – Gools

Equipe de Projeção – Matheus Andrade e Cristiano Cabral


Palco – Escola


Coordenação – Sávio Uchôa, Tomás Brandão e Tainá Menezes

Cobertura - Will Souza e Nina Xará


CENOTÉCNICA & OPERAÇÕES

Coordenação de Cenotecnia – Elias Vilar

Cenotécnicos – Sonny Silva, Denize dos Santos e Nenzinho

Igreja da Misericórdia - Alan de Souza e Metódio de Souza

ASG - Marcinha Extrovertida, Karine Lopes e Leninha Silva


Estrutura – COPA SOM

Equipe de Apoio – RAIO Segurança

Catering – SS Festas - Suely Domingos, José Pedro, Sabrina Oliveira


FIGURINO, MAQUIAGEM & CAMARINS

Assistentes de Figurino

Álcio Lins

Francis de Souza

Camareiras

Beta Galdino

Francis de Souza

Monique Nascimento

Assistentes de Maquiagem

Andrea Afonso

Cynthia de Cássia

Monique Feara


COMUNICAÇÃO, DESIGN E AUDIOVISUAL

Assessoria de Comunicação e Mídias Sociais

Cognos Comunicação

Luiza Maia

Tiago Barbosa

Equipe de Comunicação – Emanuela Luísa, Ezio Flávio

Identidade Visual

Davi Alfonso

Designer

Rena Almeida

Produção Audiovisual

Direção Audiovisual – Will Souza

Dir. Vídeo - FPV - Drone - Mateus Bernardo

Filmmakers – Thalys Alves e Marina Curcio

Assistente de câmera - Okoye Ribeiro

Editor Real Time - Simon Filmes

Fotógrafas – Izabele Brito e Nina Xará



Equipe de Acessibilidade

Audiodescrição – Dani França, Andreza Nóbrega e Preciosa

Libras – CM - Comunicação para o Mundo



PRODUÇÃO

Produção Executiva e Direção de Produção

Tainá Menezes

Tomás Brandão

Coordenação de Produção

Tiago Dyllan

Assistentes de Produção

Alice Vasconcelos

Dani Leão

Julia Assis

Melissa Faustino

Produção Parceira

Relicário Produções

Carla Valença

Verônica Monte




AGRADECIMENTOS

A todos que fazem a Prefeitura de Goiana

Hemobrás

Ana Paula Sóter

Márcio Markman

Andrea Mota



AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

Ítalo César


Bosco Rabello

4 comentários


gilvanfernandes
28 de dez. de 2025

Que texto sensivelmente lindo! Quem viu a conexão deste espetáculo e seus artistas, com a histórica cidade, sabe! E eu estava lá e senti toda essa conexão. Eu nunca imaginara que pudesse estar diante dessa apresentação na minha própria terra, após anos de desejo de ir vê-lo no Marco Zero.

Foi uma noite memorável e que eu espero que se repita outras vezes.

Eu acompanhei durante a semana, ansioso, a movimentação da equipe, todas as vezes que precisava ir ao comércio, e estive no ensaio na noite anterior. Assisti ao espetáculo ao vivo pela primeira vez, ali, no ensaio, do início ao fim, na primeira fila - o meio fio da calçada - e fiquei eufórico, registrando imagens e enviando…

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Assessoria
Assessoria
28 de dez. de 2025
Respondendo a

Gilvan, que bonito teu depoimento. Agradeço demais pelas palavras e te confirmo que todo elenco saiu encantado com a recepção do povo Goianense. Muito especial e simbólico para "O Baile" sair do Recife justamente para a "Terra dos Caboclinhos". Obrigado e bom fim de ano!

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Ana Bourbon
Ana Bourbon
27 de dez. de 2025

Carlos querido, você transmite emoções que são tão genuínas que é impossível não se conectar com elas. Suas palavras sempre têm um impacto profundo em mim. Seus textos e suas interpretações me tocam de uma maneira diferente. Você é um verdadeiro poeta, um excelente intérprete, um cantor de uma voz linda e única. Eu me sinto honrada de ser sua fã e amiga. O Baile do Menino Deus é um espetáculo grandioso, que conta a história do nascimento do menino Jesus com a riqueza da nossa cultura, é uma maneira linda e única de contar esta história que nos encanta a cada ano. Parabéns a você e todos que fazem este espetáculo único e magnífico. Lhe assistir em suas mult…

Editado
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Assessoria
Assessoria
28 de dez. de 2025
Respondendo a

Ana, querida. Obrigado por tanto carinho! 🌻

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